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13/02/2026

Uma Noite em L'enfer / Uma Noite na Taverna

Eu li pela primeira vez a HQ Uma noite em L'Enfer em 2016, logo após comprar um exemplar devidamente autografado na CCXP. Naquela época o evento ainda não era tão engana-trouxa como é hoje em dia, mas isso é assunto para um outro dia.

Me interessei pela temática da HQ ao ver alguns reviews de gibitubers ou coisa que o valha. No evento, conheci o simpático autor David Calil e tirei uma foto com ele. Vou ficar devendo a foto porque sabe Deus onde ela está nesse mundo virtual. Mas vocês podem ver o autógrafo abaixo.

Autógrafo Davi Calil

O fato é que li a história e gostei bastante. Fiquei com a informação na cabeça de que ela foi inspirada no livro do autor brasileiro Álvares de Azevedo, publicado póstumamente em 1855. A temática, um tanto mórbida, especialmente para autores tupiniquins, me deixou espantado na época.

Recentemente, achei uma edição de 'Uma noite na taverna' com uma capa bem bonita e baratinha na Amazon e resolvi comprá-la e matar a minha curiosidade sobre a obra original.

Bom, posso dizer que o quadrinho é bem melhor que o livro.

O livro de Álvares de Azevedo, apesar de curto (tem apenas 96 páginas), tem uma leitura arrastada. Em parte pelo português bastante antigo, mas principalmente pela escrita do autor. Imagino que seja porque ele era um dos grandes nomes do romantismo no Brasil. Seus personagens sofrem demais, amam demais, bebem demais, usam drogas demais, são canalhas demais, enfim... não consegui simpatizar com nenhum deles.

Uma Noite em L'enfer

A história me lembrou um episódio dos Simpsons, onde o Homer, depois de fugir do hospital onde doaria um órgão para o seu pai, se encontra em um navio com sujeitos deploráveis que praticaram os piores crimes ou pecados possíveis. Essa Taverna de Álvares de Azevedo é mais ou menos assim, um pior que o outro.

Sobre L'Enfer, Calil não faz uma adaptação da obra, pelo menos não literalmente. Ele usa a Taverna de Álvares como base, porém inclui elementos originais.

Na história original temos os protagonistas Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius e Johann, todos pretensos poetas. Na adaptação de Calil eles são substituídos por Van Gogh, Gauguin, Lautrec, Klimt e Goya, todos pintores renomados. Destes, apenas Goya não era contemporâneo dos demais, uma pequena licença-poética para melhor fluidez na história.

Uma Noite em L'enfer

Enquanto a escrita de Álvares é arrastada e romântica até demais, a arte cartunesca de  Davi Calil, com excelentes cores de Mariana Calil, enxuga a verborragia e traz uma leveza e humor ausentes na obra original.

O tamanho grande da HQ, 27x20, e o papel de boa gramatura valorizam ainda mais a arte, deixando a leitura muito agradável.

Ah, quase ia me esquecendo: o título Uma noite em L'Enfer não é por acaso. Calil trocou não só os protagonistas de Azevedo, mas transportou-os para o Cabaret L'Enfer, que existiu no final do século XIX em Paris.

Cabaré L'Enfer

O tal cabaré tinha um visual um tanto diabólico até mesmo para os dias de hoje. A HQ traz um posfácio bem completo falando sobre o cabaré, a Belle Époque e sobre os pintores-protagonistas da trama. Material completíssimo e que eu recomendo fortemente, porém infelizmente essa HQ não está mais disponível no mercado.

Uma Noite em L'Enfer tem 192 páginas e foi publicado em 2016 pela Editora Mino.

Uma Noite em L'enfer


29/01/2026

O Xangô de Baker Street

O Xangô de Baker Street
A versão que eu li possui essa capa, lançada em 1997, na 12ª reimpressão. Hoje em dia ainda é fácil de encontrar o "Xangô..." seja em sebos ou em livrarias.

Fala, pessoal, beleza?

Fazia muito tempo que queria ler este livro do Jô Soares, O Xangô de Baker Street. Me lembro vagamente de ter visto um trailer dele durante minha adolescência, mas nunca tive a oportunidade de assistir nem de lê-lo.

Nesse meio tempo, até a leitura deste, li muitos livros do detetive inglês. Conforme o tempo foi passando, fui ficando cada vez mais curioso para saber o que Holmes fazia pelas terras brasileiras no século XIX e como o finado Jô Onze e Meia tinha trabalhado o personagem. Pois bem, a espera acabou. 

Li a obra este mês de janeiro de 2026 e o livro estava à altura das minhas expectativas. 

A história se passava no Rio de Janeiro no ano de 1886. D. Pedro II convoca Sherlock Holmes para ajudar na investigação do sumiço de um valioso violino Stradivarius, a "Ferrari" dos violinos. No entanto, o que era apenas o caso de sumiço de um instrumento da amante de D. Pedro II rapidamente passava a ser também a investigação do primeiro "sirialquiler" da história, termo cunhado por Holmes em terras tupiniquins e adotado mundo afora.

Enquanto lia, me lembrei de que uma vez vi Jô Soares falando que era fã do Século XIX e que tinha nascido na época errada. E durante a leitura, pude atestar que isso era mesmo verdade. O finado Jô misturou com maestria personagens reais e ficcionais em seu romance. Tive que parar algumas vezes para pesquisar quem era real e quem não era, como a atriz francesa Sarah Bernhardt, famosa atriz da época.

Aliás, Sarah não só existiu como ela realmente se apresentou no Rio de Janeiro em 1886.

Sarah Bernhardt

Além de Sarah e Dom Pedro II, outros personagens reais dão as caras na história, de forma mais ativa ou apenas sendo citados brevemente, como Chiquinha Gonzaga, Olavo Bilac, Princesa Isabel, Machado de Assis, Aluísio de Azevedo, Tereza Cristina (Imperatriz), Paula Nei (jornalista) e José White (violinista cubano).

Outra curiosidade que eu tinha antes da leitura era saber como Sherlock e Watson conseguiriam se comunicar com os brasileiros no romance. Falariam o tempo todo com intérpretes? Ou apenas falariam com alguns poucos gatos pingados que sabiam o idioma britânico? 

Pois o autor resolveu isso de forma simples: Holmes passou um tempo estudando o veneno de cobras com um especialista português, e assim aprende a falar português... com sotaque de Portugal! Saber o vocábulo tuga em vez do brasileiro, inclusive, é um dos motivos que levam o detetive a não conseguir solucionar os misteriosos assassinatos. Mas vamos a isso depois.

Apesar de Sherlock Holmes ser o protagonista da história, a atmosfera do romance escrito por Jô é diferente das histórias do detetive de Arthur Conan Doyle. O suspense está presente, um certo senso de urgência também, pois o próximo assassinato é sempre apenas uma questão de tempo, porém toda a trama é permeada por muito bom humor, como sempre foi característica da carreira do autor/comediante. Ri alto em várias passagens do livro, coisa raríssima de acontecer comigo em uma leitura.

Ana Candelária
Ana Candelária, affair de Sherlock Holmes. Usei a descrição dela feita no livro e gerei a imagem com o Gemini

Durante suas aventuras pelas terras brasileiras, Holmes experimenta a culinária local, misturando feijoada com vatapá, sobem para Petrópolis, acontece um "duelo" de violinos, visitas pitorescas ao necrotério, atos lascivos em praça pública, uso de cannabis, encontros com o Imperador D. Pedro II, corridas de cavalo no Jockey, a criação da caipirinha, possessão por pomba-gira... enfim, tédio, você não passará lendo este livro.

Além da trama e das piadas, o livro também é uma viagem no tempo. Jô narra as belezas e horrores da corte, como o racismo, a escravidão e a luta pela abolição, constantemente citada por diversos personagens.

Posso destacar aqui que aprendi ao menos duas coisas durante a leitura que ignorava completamente: a existência da Roda dos Expostos, um mecanismo existente na Santa Casa de Misericórdia, onde pessoas poderiam abandonar, anonimamente, bebês indesejados, que depois ficavam aos cuidados de instituições de caridade.

A Roda dos Expostos salvou muitas vidas durante o Brasil Império, tendo sido encerrada apenas em 1950

A segunda coisa, um pouco menos pesada, porém bem curiosa, era a questão dos corpos guardados no necrotério. Naquela época não havia energia elétrica, então como conservavam os cadáveres? Com gelo importado que chegava via navios, enrolado em panos e palha. Você já tinha parado para pensar nisso? Claro, uma grande parte dele derretia na viagem, mas ainda assim chegava o suficiente.

Porém, nem tudo são flores no livro. Achei que tanto Sherlock quanto Watson foram "tirados pra merda" em vários momentos do livro. Ok, na maioria das vezes era para criar uma situação cômica, mas ainda assim incomodou o excesso de vezes em que isso foi feito. Quando Sherlock chegava a alguma conclusão "elementar", algum personagem aleatório contradizia-o, explicando de forma completamente contrária as suas conclusões. 

E essa não é a pior parte. O final é bem ruim, totalmente anticlímax. A cena do assassinato final é bastante forçada, pois um personagem que durante o livro é descrito como muito inteligente e forte é morto de forma brutal, porém sem explicação para como isso aconteceu. Não vou entrar muito em detalhes para não estragar a surpresa de quem ainda não leu, mas faltou um final decente para o livro ganhar uma nota 10 bem grande. Infelizmente, vai ter que se contentar com um 9.

É isso, meus amigos, fica a dica para quem tem curiosidade para ler essa história. Agora, me resta encontrar uma maneira de assistir ao filme lançado em 2001, indisponível em qualquer streaming oficial.

23/01/2026

Já vou começar 2026 puto

detran

Então vamos lá, abrindo os trabalhos aqui no blog neste lindo ano de 2026.

E já vou começar o ano puto da cara!

Só de livros, R$ 1700,00. Com o resto do material escolar mais uniformes foram R$ 2400,00.

IPVA, 3 parcelas de R$574,00

Ainda dei o azar da minha carteira de motorista vencer esse mês, então foram R$200,00 de DETRAN e R$120,00 para o "exame médico".

R$200 para o DETRAN tirar uma foto minha (que eles já tinham), pegar minhas digitais (que eles já tinham) e me fazer ir lá naquela pocilga duas vezes para entregar documentos (QUE ELES JÁ TINHAM)!

Aí fui na clínica credenciada e as lindas NÃO ACEITAM CARTÃO NEM PIX! 

Tive que fazer igual aos antigos Maias e Astecas e ir a uma agência do Banco do Bostil sacar dinheiro. Fazia dois anos que eu não pisava em uma agência.

O maravilhoso exame levou menos de 5 minutos. Ficar de pé em uma perna só, andar dobrando os joelhos, mediu minha pressão (se eu tivesse pressão muito alta ou baixa, eu não poderia dirigir?), um exame de vista de menos de um minuto e pronto, eu estou apto a conduzir meu bólido pelas maravilhosas estradas brasileiras.

Foram mais de 2000,00 em shitcoin estatal só para eu continuar tendo o direito de dirigir meu carro velho de 2014. 2k jogados no lixo!!!

2k que eu poderia ter gasto em material escolar, ou picanha, ou em um sebo, ou em um joguinho para meu Nintendo Swtich pagando 40% de imposto para sustentar o aparato parasitário brasileiro. 

IMPOSTO É ROUBO

O ESTADO É UMA QUADRILHA

SONEGAÇÃO É AUTODEFESA!


30/12/2025

H.E.A.T - Welcome to the Future (Resenha)

O ano de 2025 está praticamente encerrado e começaram a brotar as famosas listinhas de "melhores XXX de 2025".

Uma dessas listas era sobre os melhores álbuns de rock de 2025 e em primeiríssimo lugar está a banda H.E.A.T., com o álbum "Welcome to the Future", até então desconhecido por mim.

A banda é de origem sueca, formada em 2007, e seu som é majoritariamente Hard Rock com fortes influências oitentistas, como não poderia deixar de ser. Welcome to the Future, lançado em 2025, é o oitavo álbum da banda, que já acumula também 3 EP's, dois álbuns ao vivo e dezenas de singles. 

Sem nenhum conhecimento prévio sobre a carreira da banda, eis as minhas impressões deste álbum. 

24/12/2025

Mônica Especial de Natal n° 7 (2004)

Mônica Especial de Natal n° 7

E aí rapaziada, como estamos?

Eu queria fazer um post temático de Natal sobre a revistinha Mônica Especial de Natal nº 7, publicada em 2004 pela Editora Globo. 

Digo queria porque me deu uma baita preguiça de fazer um post mais elaborado, mas não queria deixar a data passar em branco, ou o correto seria dizer que eu não queria deixar a data passar em caucasiano? Enfim... em todo o caso, ei-lô aqui.

É um total de 19 histórias divididas em 164 páginas. Temos histórias protagonizadas pela Turma da Mônica, Chico Bento, Mingau, Magali, Bidu, Louco, Papa-Capim, Astronauta e os pais do Cebolinha e do Cascão.

A história de abertura, e uma das minhas preferidas, é uma mistura de história da Turma da Mônica com uma adaptação de Um Conto de Natal de Charles Dickens. Eu gostei que nessa história eles não fizeram o óbvio, que seria recontar a trama do conto original apenas substituindo os personagens, mas eles encaixaram o conto dentro de uma historinha padrão da TdM. Achei a história bonita e que me prendeu bem na leitura.

Turma da Mônica Os Três Espíritos do Natal